Onboarding de vendedores leva 6,2 meses e atrasa a produtividade dos times comerciais

Equipe C&F
Equipe C&F 2 semanas atrás - 6 minutos de leitura
Onboarding de vendedores leva 6,2 meses e atrasa a produtividade dos times comerciais
Onboarding de vendedores leva 6,2 meses e atrasa a produtividade dos times comerciais

O onboarding de vendedores passou a consumir 6,2 meses até que um profissional recém-contratado alcance a produtividade plena, o maior intervalo já registrado pela série histórica do levantamento State of Sales, do The Bridge Group, que ouviu 158 companhias de vendas B2B sobre modelos de remuneração, metas e integração de equipes.

No mesmo levantamento, a experiência média exigida de um candidato subiu de 2,7 para 3,7 anos. As empresas passaram a contratar gente com mais bagagem e, ainda assim, esperam mais tempo pelo primeiro resultado. O intervalo entre a assinatura do contrato e a entrega plena virou um problema de gestão.

O que este artigo aborda:

O que significa uma rampagem de 6,2 meses

Rampagem é o tempo entre a contratação de um vendedor e o momento em que ele entrega resultado pleno.

No jargão comercial, o período também aparece como ramp up ou curva de produtividade. Durante esse intervalo, o profissional já custa salário e estrutura, mas ainda não sustenta a meta cheia. O onboarding de vendedores é o processo que organiza essa passagem.

A medição do The Bridge Group acompanha executivos de contas em companhias B2B há dez edições bienais. O intervalo de 6,2 meses é o mais alto já registrado por essa série.

O número descreve o tempo até a entrega plena, não o tempo de treinamento formal. Boa parte dele é gasta em aprendizado no próprio trabalho, com o vendedor já em contato com clientes reais.

Por que a exigência de experiência subiu junto com o tempo de rampa?

As empresas passaram a pedir mais bagagem prévia e, mesmo assim, esperam mais tempo pelo primeiro resultado.

A experiência média exigida de um candidato subiu de 2,7 para 3,7 anos. O movimento indica seleção mais rigorosa na entrada do funil de contratação. Ainda assim, o tempo até a produtividade plena não encolheu na mesma proporção nas operações comerciais medidas.

A leitura prática é que contratar gente com currículo longo deixou de ser sinônimo de integração curta. O repertório específico de cada operação continua sendo construído dentro da empresa, e é ele que domina o calendário do onboarding de vendedores.

Como o Brasil se compara ao mercado americano?

As operações brasileiras registram rampa mais curta que a média americana, segundo levantamento nacional do setor.

O Inside Sales Benchmark Brasil, levantamento da Meetime, aponta média de 3,9 meses nas operações brasileiras. O mesmo estudo registra 5,3 meses no mercado dos Estados Unidos. São recortes distintos, com amostras e perfis de operação diferentes entre si e metodologias próprias.

A leitura por porte de operação, publicada pela consultoria Lative no estudo Sales Ramp Time, mostra vendedores de pequenas contas atingindo 80% da meta em 3 a 4 meses.

Nas contas de médio porte, o intervalo vai de 5 a 7 meses; nas de grande porte, de 9 a 12 meses.

Porte da operaçãoTempo até o patamar de meta
Pequenas contas3 a 4 meses
Contas de médio porte5 a 7 meses
Grandes contratos9 a 12 meses

Os intervalos da tabela vêm da leitura por porte da consultoria Lative e não são comparáveis diretamente com as médias nacionais citadas acima. Cada estudo mede mercados, portes e critérios de meta diferentes. A comparação entre eles serve de referência, não de meta para o onboarding de vendedores.

O que encurta a integração de um novo vendedor

Parte da rampa é consumida ensinando o que poderia ter sido aprendido antes da contratação.

Empresas que recebem um profissional sem formação prévia assumem três frentes ao mesmo tempo. Precisam ensinar técnica de venda, conhecimento de produto e cultura interna. Cada uma dessas frentes tem ritmo próprio e soma dias ao calendário de integração do time.

Pedro Sirius é fundador da SalesLab, empresa de Curitiba que forma profissionais de vendas em closers e SDRs e os encaminha ao mercado.

O executivo observa que a extensão da rampa começa antes mesmo do primeiro dia de trabalho.

“A rampa fica longa porque a empresa contrata alguém cru e assume sozinha a formação inteira: técnica de venda, produto e cultura ao mesmo tempo. Quando o profissional chega com a parte técnica resolvida, a empresa só precisa ensinar o que é dela.”

Para ele, a expectativa de transferir a operação comercial inteira para fora da empresa não se sustenta, e o ganho de tempo real está no preparo anterior à contratação.

“Terceirizar o comercial inteiro não existe, e quem promete isso não entrega. O que dá para antecipar é a técnica de venda; o produto, o processo e a cultura só se aprendem dentro da empresa. Integração curta não é o que se pula, é o que já foi feito antes.”

Os conteúdos disponíveis sobre o tema costumam detalhar como montar o onboarding de vendedores dentro da empresa, com marcos de 30, 60 e 90 dias, checklists e mentoria.

O ponto menos discutido é o que muda no calendário quando o profissional já chega com a técnica resolvida.

O que muda para quem monta ou gerencia uma equipe comercial

A leitura prática do dado é que a integração precisa entrar no planejamento como etapa com prazo definido.

Gestores de equipes pequenas sentem o efeito com mais força, porque cada vendedor pesa mais no resultado. Um ciclo de 6 meses sem entrega plena compromete o planejamento de caixa. O onboarding de vendedores passa a ser um item de custo previsível.

Alguns pontos ajudam a organizar esse período:

  • Separar o que é técnica de venda do que é conhecimento de produto e cultura, porque só o segundo grupo depende exclusivamente da empresa
  • Medir o tempo de rampa da própria operação antes de comparar com qualquer média de mercado
  • Registrar as etapas do processo em CRM ou em documento único, para que a integração não dependa da memória de um gestor
  • Definir o que significa produtividade plena na operação, com número de reuniões, propostas ou contratos fechados
  • Revisar o perfil de contratação quando a rampa se repete longa demais, observando o que o candidato traz pronto

O limite dessa leitura é que benchmark não é meta.

Uma operação com ciclo de venda longo e decisão compartilhada por várias áreas vai levar mais tempo, e comparar esse cenário com médias de operações simples produz diagnóstico errado.

O dado do setor serve como referência de ordem de grandeza.

A decisão sobre quanto tempo a própria equipe pode esperar depende do ciclo de venda, do porte do cliente e do que cada profissional já domina ao entrar.

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